Blocos, resíduos de concreto e de argamassa, e até sobras de concreto fresco que voltam da obra no próprio caminhão betoneira podem ser reutilizados na fabricação de concreto ecológico.

concretoe cologico 3Resíduos de construção, demolição e sobras de concreto fresco são reutilizados para produzir mais concreto

Desde que observadas características técnicas e restrições normativas, esses materiais servem como agregado reciclado, conforme explica o engenheiro Luiz Brito, da Votorantim Cimentos: “É possível usar agregado reciclado na proporção que considerar mais conveniente. Geralmente, é de 20 a 40% do volume total de agregados no traço”, conta.

A principal restrição quando se trata de Resíduos de Construção e Demolição (RCD), entretanto, é a impossibilidade de utilizar o reciclado para concretos estruturais.

Ainda não há uma norma brasileira que regule esse uso: “Estamos desenvolvendo estudo, junto à Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), para aplicar agregado reciclado em pavimento rígido; as normas americana e alemã já autorizam o uso de agregado reciclado em vários tipos de concreto estrutural”, revela Brito.

Para ele, a ausência de pesquisas no Brasil é o que mais restringe o estímulo à aplicação deste material reaproveitado.

Sobra de qualidade

Produto específico da construção civil, ao qual apenas as concreteiras têm acesso, é a sobra de sua própria produção. “O volume médio de concreto devolvido gira em torno de 2% a 5% do total fornecido. Esse material pode virar agregado sustentável, ou ser tratado e usado enquanto ainda estiver fresco”, salienta.

concreto ecologicoMaterial ecológico compõe de 20% a 40% do volume de agregados no traço

Desde que os procedimentos adequados sejam adotados – como o uso de aditivos que retardem seu endurecimento –, e que os requisitos normativos de desempenho sejam atendidos, seu uso poderá ser até mesmo estrutural.

Coprocessamento

Outra possibilidade que torna a produção de cimento mais sustentável é o coprocessamento de resíduos nos fornos da indústria cimenteira. “As pessoas em geral só sabem disso quando veem notícias de que materiais apreendidos foram incinerados, mas faz-se muito coprocessamento com pneu picado e outros materiais”, explica Luiz Brito.

Além de reduzir a extração de matéria-prima para produção de combustível, o coprocessamento reduz o volume de resíduos depositados nos aterros.

Tecnologia sustentável

Para aproveitar o material de reuso, é preciso lançar mão de processos tecnológicos que permitam qualificá-lo à definição da dosagem, além de ter conhecimentos sólidos sobre o produto coprocessado e o resíduo do concreto – seja ele fresco ou endurecido.

conceto ecologico 2

A existência de tecnologias que permitem reduzir o impacto ambiental da indústria cimenteira se explica na escala de produção desse segmento, que lida com volumes gigantescos de produto. “É uma indústria muito impactante; por isso, qualquer economia é muito bem-vinda, e traz resultados relevantes”, diz.

Já para a indústria da construção, o reaproveitamento de resíduos reduz custos – material reciclado é material que deixa de ir para aterro. “Desde a implantação da política de resíduos sólidos no Brasil, aumentaram o preço e as dificuldades para descarte de materiais”.

Fonte: Mapa da Obra