A indústria da construção civil é considerada o termômetro da economia brasileira e por vários fatores. Primeiro por ser uma das cadeias econômicas mais atuantes e que mais gera emprego, fato também que pode ter um reverso, quando a situação vai mal, tem como consequência o desemprego. A partir da realização de uma simples reforma, uma obra de edificação comercial ou residencial, além das grandes obras públicas de infraestrutura, ela vai envolver centenas de setores. A começar pela indústria que vai produzir o material a ser utilizado pelas construtoras. A seguir vem o setor de empreitada que vai dar início às obras. Por conseguinte temos o comércio que vai negociar o material fabricado e que deve ser comercializado para a realização da obra.

Futuro edifício da Plaenge em Campo Grande, com operário colocando material na caçamba de entulho/Foto:Helton Davis

Em muitos dos casos temos ainda a questão da venda do imóvel, que vai gerar negócios a corretores e incorporadores. E por último a satisfação do consumidor com sua obra, seja de construção total ou de reforma concluída.

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Amarildo Miranda Melo, presidente do Sinduscon/Foto: Arquivo pessoal

O presidente do Sinduscon (Sindicato da Intermunicipal da Indústria da Construção Civil de Mato Grosso do Sul), Amarildo Miranda Melo, disse que embora não tenha um estudo detalhado, mas acredita que a maior cadeia da economia é a da construção civil, porque não é somente a casa quando se fala em construção. “Fazemos a casa, mas tem toda uma cadeia envolvida, como parte elétrica, estrutural, de aço, madeira, piso, concreto, ou seja, é uma cadeia imensa. São por esses motivos que a construção civil gera muito emprego e ao demitir também acontece em grande número” define.

Amarildo exemplifica a questão relacionada à economia e emprego, citando o setor automobilístico considerado forte, e que teve uma demissão de 11 mil trabalhadores, enquanto que na construção civil esse número chegou 1 milhão de demissões, sendo 500 mil formalizados somente das construtoras e outros 500 mil informais, mostrando o potencial econômico do setor.
“O construtor entrega o imóvel para o interessado e para isso envolve toda essa cadeia econômica. Quando você não tem o imóvel para entregar, você arrebenta essa rede de negócios, porque não se produz, não se comercializa o piso, a fiação elétrica, o gesso, fechadura, porta, areia, pedra, cimento, e assim por diante. Por que se fala que a construção civil é o motor no sentido de geração de emprego? Porque colocou dinheiro, gera emprego no dia seguinte”, desabafa Amarildo.

Excesso de burocracia

Na visão do empresário, quem mais atrapalha o setor da construção civil é o próprio governo com uma burocracia excessiva. Esse ramo econômico não depende apenas do governo, pois segundo ele, existem muitos empresários no setor privado que não precisam do órgão público para construir. Mas faz questão de realçar que lá na ponta o governo ajuda, principalmente com o financiamento. Então, o que está prejudicando o setor é a política de juros muito ruim do governo, deixando o dinheiro caro e dificultando aquela pessoa a comprar um imóvel. “A burocracia excessiva do governo do ponto de vista de licenças, impostos, tributos, e o principal, o governo não ter controle de suas próprias contas, isso atrapalha os investimentos”.

Obra de recuperação da MS-258 em Capão Seco/Foto Edemir Rodrigues?Divulgação/Segov/MS

Obra de recuperação da MS-258 em Capão Seco/Foto: Edemir Rodrigues/Divulgação/Segov/MS

Para Amarildo, o governo tem de fazer sua lição de casa e gastar menos do que arrecada, para que sobre dinheiro para investir nessa cadeia econômica, mesmo porque o governo faz muita obra e para isso acontecer tem de haver dinheiro. “Não adianta ter apenas o Minha Casa Minha Vida, o maior volume de dinheiro está no PAC. Ele gastando menos vai ter como investir em estradas, aeroportos, hospitais, portos, hidrovia, metrô, construção de casas, escolas, é uma obrigação do governo. Mas para isso ser feito, tem de haver dinheiro, e o que acontece hoje é o descontrole das contas governamentais e não tem dinheiro para investir. E para piorar, de outro lado esse dinheiro fica caro para emprestar e assim poder comprar os imóveis, gerando negócios”, explica.

O representante do setor empresarial da construção civil de MS comenta que existem muitas situações para agilizar os negócios e que podem ser feitas sem apenas envolver o dinheiro, como é o caso da desburocratização. Segundo ele, foi feito um estudo com CBIC (Câmara Brasileira Indústria da Construção) e CNI (Confederação Nacional da Indústria), onde se pegou um imóvel a partir do zero, no momento em que vai dar a entrada no projeto de construção. Nesse trabalho, ficou constatado que a pessoa começa a pegar as autorizações na prefeitura até chegar a construir. Uma empresa de consultoria pegou tudo aquilo que era possível de mensurar, documentação que foi paga para iniciar e terminar uma construção. Esse estudo foi entregue a governo anterior, três anos atrás, e ficou comprovado que 12,6% daquele imóvel eram referentes a papel, burocracia. “isso significa que em cada 10 casas construídas daria para fazer uma a mais. Então, o governo tem de tomar providência em relação a isso também”.

Até mesmo em relação à crise e questão do meio ambiente, a indústria da construção civil tem buscado alternativa para baratear seu custo e entregar suas obras com eficácia, qualidade e sustentabilidade.

Novas tecnologias

A indústria está tecnificando seu processo produtivo e entregando com qualidade, porque o comprador não quer mais uma casa apenas, tem de ser um projeto autossustentável, com reaproveitamento de água, com energia solar, até mesmo as casas mais modestas do programa Minha Casa Minha Vida, o comprador tem de aplicar essas técnicas sustentáveis. “Imagine um milhão de casas com sistema de aquecimento solar. Essa energia sobra para a indústria, para o setor produtivo, onde há necessidade de um volume maior de energia e fica mais barata. Hoje, nosso setor faz isso pela osmose natural do processo, para entregar um produto confortável, com acessibilidade, conforto térmico, com reaproveitamento de água, que gaste menos energia. Isso, as empresas estão fazendo, porque o mercado está exigindo, e é importante para a empresa, porque ela reduz custo, além de ter um atrativo maior, pois na hora de vender o produto com essas técnicas, o faz com que a obra e casa fiquem mais econômicas. Não adianta fazer uma casa cara se não terá quem comprar. O mercado é seletivo, não é tão forte do ponto de vista de casas caras, tem de ser mais baratas”. Só o que movimentou a economia no ano passado no programa Minha casa Minha Vida foi R$ 170 bilhões.

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Parte do canteiro de construção do conjunto da Plaenge em frente ao Parque das Nações Indígenas, em Campo Grande/Foto: Helton Davis

Dentro desse segmento são as pequenas empresas as mais atuantes. O setor de construção civil é um dos mais relevantes da economia brasileira com aproximadamente 170 mil empresas atuantes em todo o Brasil. “Em Mato Grosso do Sul existem 1,5 mil empresas do setor de construção civil. É um setor com várias pequenas empresas. A realidade em nossa cadeia mostra que 92% são de empresas com até 20 funcionários, pouco mais de 7% empregam de 20 a 500 funcionários, e acima de 500 trabalhadores nem chega a 2%. As grandes companhias representam grandiosidade na questão financeira. Na questão de trabalho e mão de obra, se sobressaem as pequenas prevalecem, esta é uma cadeia bastante diluída nas próprias construtoras, imagina ao pegar os setores espalhados”, detalha.

“A construção civil é tão importante, que ao se verificar um exemplo simples, quando há demissões em alguns setores, esse empregado demitido nem sempre consegue se recolocar em sua área, mas muitas vezes migra para a construção e obtém emprego”, comenta.

Ambiente econômico

A melhoria do ambiente econômico passa pela construção civil, defende Cláudio Elias Conz, presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material da Construção (Anamaco). Cláudio Elias participou de encontro entre representantes da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e o presidente Michel Temer para discutir os problemas do setor.
Os representantes da construção civil propuseram um pacto ao governo: “acredite na construção civil, que nossa resposta é muito rápida na geração de emprego e renda”, diz Conz. O crescimento do Brasil, afirmou o presidente da Anamaco, passa por tijolo, cimento e mão de obra. Com base nos últimos três meses, o setor tem a sinalização de que vai reverter a queda do ano passado com crescimento em torno de 5%.

MRV busca cativar o consumidor com unidades residenciais econômicas

Residencial da MRV na Av. Senador Antonio Mendes Canale, em Campo Grande/Foto;Alberto Gonçalves

Residencial da MRV na Av. Senador Antonio Mendes Canale, em Campo Grande/Foto: Alberto Gonçalves

A MRV Engenharia, fundada em 1979, é uma companhia presente em mais de 140 cidades de 19 estados, além do Distrito Federal e pode ser vista como um exemplo de busca de tecnificação para alavancar a construção civil, dentro de seu segmento.

Segundo a assessoria da empresa, nos últimos anos, com o foco na expansão do setor de construção, a empresa vem se preparando para crescer. “O grupo se reestruturou, excluindo todos os negócios que não eram focados em construção e incorporação de empreendimentos residenciais populares. Adquiriu vários terrenos e áreas para acelerar seus lançamentos”, informou.

Ainda de acordo com a área de marketing da construtora, em seus 37 anos dedicados exclusivamente à construção e a incorporação de unidades residenciais econômicas, tem profissionais, tecnologia e experiência em imóveis com elevado custo benefício. A eficiência técnica é o caminho para gestão do negócio. Por isso, A MRV analisa o sucesso em três conceitos: localização dos imóveis, preço e forma de financiamento.

Todos os imóveis são em condomínios fechados com guarita de segurança e possuem otimização econômico-financeira da área do condomínio. Os projetos da construtora são baseados em estruturas que podem ser replicadas em diferentes tipos de empreendimentos. Esta estrutura modular de construção permite que a companhia consiga reduzir o ciclo de incorporação e possa entregar seus imóveis em curtos prazos. Com isso, a empresa melhora o retorno obtido em seus empreendimentos.

Diferenciais competitivos

A MRV Engenharia desenvolveu um modelo de produção, segundo o marketing da empresa, que permite replicar em escala industrial, em diferentes localidades e de forma simultânea, um padrão único de construção modular. Esse método possibilita a construção de empreendimentos de até cinco mil unidades com ganhos de escala; maior poder de negociação com fornecedores; diluição de custos fixos; controle de qualidade e ciclos de incorporação mais curtos.

Lançamentos crescem, mas setor imobiliário ainda aguarda retomada

Os Indicadores Abrainc-Fipe demonstra que foram lançadas 4.611 unidades em agosto de 2016, o que representa um aumento de 70% frente ao volume lançado no mesmo mês de 2015. No acumulado de 2016, os lançamentos totalizaram 38.586 unidades, volume 18,5% superior ao observado no mesmo período de 2015. Considerando os últimos 12 meses, o total lançado (70.039 unidades) representa um aumento de 4,3% face ao observado no período precedente.

Em agosto de 2016, dados das empresas pesquisadas indicam que foram vendidas 9.271 unidades, o que representa um avanço de 1,4% frente às vendas do mesmo mês de 2015. No acumulado até agosto de 2016, as vendas somaram 67.069 unidades, queda de 11,3% frente ao volume observado no mesmo período de 2015.

grafico_vendas_agostoO vice-presidente executivo da Abrainc  (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias), Renato Ventura, ressalta que o aumento nos lançamentos do mês de julho deve ser tratado com cuidado, uma vez que o número ainda não reflete um cenário tendencioso ou uma melhora significativa para o setor. “Na medida em que a economia voltar a crescer, o setor deve se recuperar”, afirma Ventura.

Luiz Fernando Moura, diretor da Abrainc, explica que os dados do mercado imobiliário devem ser acompanhados por um período maior para melhor análise. Dessa forma, quando os números absolutos são baixos, qualquer aumento ou diminuição tem grande impacto proporcional no resultado final. “O mercado continua esperando por melhorias”, diz.

Em setembro, crédito imobiliário atingiu R$ 3,2 bilhões

Os financiamentos imobiliários concedidos pelos agentes financeiros com recursos das cadernetas do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) caíram 21,5% entre agosto e setembro. Com volume de R$ 3,2 bilhões, o resultado de setembro foi o menor do ano. Parte do baixo desempenho do mês pode ser explicada pela greve de bancários que começou em 6 de setembro e perdurou por mais de um mês, comprometendo a atividade financeira. Em relação a setembro de 2015, observou-se queda de 41,7% nas operações de crédito imobiliário.
Entre janeiro e setembro, os financiamentos imobiliários somaram R$ 33,6 bilhões, montante 45,8% menor do que o registrado em igual período do ano passado.
No acumulado de 12 meses (outubro de 2015 a setembro de 2016) foram destinados R$ 47,2 bilhões para aquisição e construção de imóveis com recursos das cadernetas de poupança do SBPE, retração de 48,6% em relação ao montante apurado nos 12 meses precedentes.

Plaenge se prepara por demanda menor, mas acredita em retomada econômica

Segundo Edison Holzmann, Diretor Grupo Plaenge, o volume de vendas é influenciado pela vitalidade da economia, especialmente a economia regional, e também pela relação entre oferta e demanda. O mercado de Campo Grande, diferentemente de outros centros, não experimentou exagerados volumes de oferta de imóveis novos, o que foi muito bom.

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Trabalhadores preparam terreno para drenagem/Foto:Helton Davis

“O Grupo Plaenge se preparou para este momento de menor demanda, readequando o volume de seus lançamentos de maneira a proporcionar ao mercado um maior equilíbrio entre oferta e demanda e, assim, promover a preservação e o retorno dos investimentos da empresa e de seus clientes, além do valor imobiliário da cidade, uma vez que nossos preços acabam sendo importante referência”, pontua.

Em outras palavras, é possível afirmar dizer que o volume de vendas se readequou à menor demanda, e que por outro lado, com o menor número de lançamentos a velocidade de vendas e os preços se mantiveram relativamente estabilizados, preservando os investimentos e o mercado.

São claros os sinais de uma retomada, após as medidas da nova equipe econômica, e pela volta da confiança do consumidor, das empresas e dos agentes financeiros, que estão visualizando um novo cenário sem intervenções e uma economia com maior controle de gastos. Fatos estes que já se refletem no movimento dos pontos de venda de nossos produtos, e que nos deixam otimistas com o futuro.

Até o dia 31 de outubro serão 339 torres entregues pelo grupo em todo o país, somando 23.683 unidades, o que equivale 78 mil pessoas morando. Em Campo Grande são 79 torres entregues, sendo 5.628 unidades, o que significa 18 mil pessoas morando em Vanguard Home e Plaenge. Na Capital o grupo emprega cerca de 500 funcionários diretos e 800 indiretos.

Emprego e renda

A indústria tem papel importante no Produto Interno Bruto (PIB) da construção; ela responde de forma rápida quando medidas econômicas são tomadas de forma correta. Foi o que disse Walter Cover, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat). Ele informou ainda que toda a estrutura da construção emprega 13 milhões de pessoas, considerando empregos formais, informais e indiretos. “Tradicionalmente, quando a construção está bem, ela admite, emprega pessoas”, lembra Cover.

Geração de empregos na construção equilibra economia

No que diz respeito à geração de empregos, pode-se afirmar que a indústria da construção civil é quem está dando equilíbrio à economia ao afastar a atmosfera pessimista da crise e o fantasma do desemprego que têm atingido diversos setores da economia brasileira. Segundo especialistas, a cada 1 (um) real aplicado na construção civil é gerado até 4 reais em outros setores.

E claro, fazer esse termômetro permanecer aquecido, a geração de empregos é fundamental para manter esse ciclo completo. Formada por aproximadamente 25 mil trabalhadores distribuídos em mais três mil estabelecimentos em Campo Grande, essa grande massa trabalhadora corresponde a 10% dos empregos formais na cidade o que têm freado o crescente desemprego.

De acordo com o presidente do Sintracon (Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil e no Mobiliário), José Abelha, mesmo com as recentes mudanças que restringiram as regras de financiamento público feitas pelo governo, em especial, no uso dos recursos do FGTS e subsídios de programas habitacionais populares, a expectativa é de crescimento no setor com a mais geração de postos de trabalho.

“São dezenas de milhares de empregos diretos e indiretos que vão sustentar a economia enquanto essa crise não passar”, enfatiza.

O presidente do Sintracon defende que o governo crie novas modalidades de crédito e políticas habitacionais à longo prazo, bem como restabelecer as regras antigas de financiamento já que depois das modificações realizadas, os atuais limites não são atrativos para empresários continuarem investindo. “O setor vai deixar de receber investimentos, e consequentemente, deixar de gerar mais postos de trabalho se o Governo não rever a atual política habitacional”, argumenta.

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Operário preparam a massa de concreto na obra do edifício da Plaenge/Foto: Helton Davis

Construção pesada

Se a construção civil é formada por empresas privadas, a construção pesada tem como característica a dependência do nível de investimentos pelo Estado que direcionam o crescimento deste segmento. Este abrange as obras de infraestrutura – vias de transporte, obras hidráulicas de saneamento, de irrigação/drenagem, obras de arte (pontes, viadutos, túneis), obras de geração e transmissão de energia elétrica, obras de sistemas de comunicações e obras de infraestrutura de forma geral.

Reconstrução de rodovia no interior de Mato Grosso do Sul/Foto: Edemir Rodrigues/Divulgação/Segov/MS

Reconstrução de rodovia no interior de Mato Grosso do Sul/Foto: Edemir Rodrigues/Divulgação/Segov/MS

Conforme o Sinticop (Sindicato dos Trabalhadores na Construção Pesada de MS), no estado, são cerca de cinco mil trabalhadores neste setor com média salarial de R$ 2 mil e representam 5% dom empregos formais do Estado. Segundo o presidente do SINTICOP, Walter Vieira dos Santos, a liberação de recursos por parte de prefeituras, estado, e governo federal, é o que impulsiona o segmento.

Construção civil foi atingida pela recessão

Recentemente, a Revista Exame publicou uma notícia na qual afirmava que nunca, na história, a rentabilidade da indústria da construção civil foi tão baixa: de cerca de 11% de rentabilidade em 2013, passou a pouco mais de 2% em 2014. Um número assustador para um setor da economia brasileira que representa aproximadamente 13% do PIB (Produto Interno Bruto) do país, explicita Flavio Maluf, executivo da Eucatex que atua há muitos anos neste ramo.

No ano posterior, em 2015, o setor chegou a demonstrar algumas reações após o desastroso ano de 2014. O empresário Flavio Maluf comenta que a expectativa é que, nestes anos de 2016 e 2017, as atividades de construção voltem a crescer e a indústria de materiais de construção comece a elevar os seus índices de venda.

Mudança e restrição de créditos e programas habitacionais prejudicam o setor

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Natel de Moraes, presidente da Anicer/Foto: Arquivo pessoal

Ao comparar que a construção civil não estando bem, as consequências atingem vários setores, o presidente da ANICER – Associação Nacional da Indústria Cerâmica, Natel de Moraes, resume a situação comentando que a indústria, na qual ele é empresário e dirigente da associação, tem atualmente uma ociosidade entre 40 a 45%. “Hoje esperamos que o governo consiga ajustar suas contas, como a queda de juros que já foi sinalizada pelo Copom, e assim possamos no ano que vem ter uma retomada dos negócios”.

O empresário concorda em que o problema está no Governo Federal, pois é a partir do financiamento que há o estímulo na construção e sem ele, o setor não anda. Na visão de Natel o que é preciso de imediato é uma forte retomada nos programas habitacionais. “Além de não ter haver incentivos nos programas habitacionais, existem muitas restrições em relação à liberação de crédito. Por exemplo, com a portaria 160 do Ministério das Cidades, que não financia mais casas se não houver infraestrutura básica, ou seja, saneamento básico, asfalto e drenagem, cortam os financiamentos do Minha Casa Minha Vida”. Para complicar mais ainda pessoa física não pode mais construir nesse segmento habitacional. Mas, segundo ele, essa mudança já vai dificultar a tomada de crédito, porque até que o construtor deixe ser pessoa física, para se transformar em pessoa jurídica demanda um tempo.

Conjunto residencial em Três lagoas do programa Minha Casa Minha Vida/Foto:Chico Ribeiro/Divulgação/Segov/MS

Conjunto residencial em Três lagoas do programa Minha Casa Minha Vida/Foto:Chico Ribeiro/Divulgação/Segov/MS

A grande preocupação está na questão da regra de infraestrutura básica como primordial para o Minha Casa Minha Vida e cita como exemplo Campo Grande. “Onde temos um local que dê para construir, seja acessível para se fazer a casa e ter um retorno financeiro. Temos apenas bairros aonde não chegou esse tipo de infraestrutura. E também não chegou porque o governo não tem dinheiro para investir em infraestrutura, então como fazer, parou o programa”, declara o presidente da Anicer.

Até mesmo na questão de reformas em casas, Natel de Moraes lembra que a expectativa é sobre o “cheque construção”, que deverá ser criado pelo Governo Federal para incentivar esse tipo de obra e poderá incrementar as vendas.

Indústria Cerâmica equivale 4,8% da construção com faturamento de 18 bi

Produção de tijolos da Cerâmica Campo Grande/Alberto Gonçalves

Produção de tijolos da Cerâmica Campo Grande/Alberto Gonçalves

Para se ter uma ideia da participação da indústria de cerâmica vermelha nessa cadeia econômica, ela equivale a 4,8% da Indústria da Construção Civil. A preocupação do setor que está a espera de investimentos e posições definidas do governo se justifica pelo fato de que o setor emprega 293 mil trabalhadores diretos e gera outros 900 mil empregos indiretos.

No que diz respeito à movimentação financeira, a indústria cerâmica, de acordo com dados do IBGE, tem um faturamento anual de 18 bilhões de reais e engloba no Brasil aproximadamente 6.900 empresas. Em termos de curiosidade, Natel de Moraes faz questão de comentar que mensalmente são produzidos 4 bilhões de blocos de vedação, como tijolos, e 1,3 bilhão de telhas.

Corretores de imóveis participam do setor e criticam dificuldades

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Delso José de Souza, presidente do Creci-MS/Foto: Arquivo Pessoal

Um dos setores envolvidos nessa cadeia econômica que engloba a construção civil é referente aos corretores de imóveis. Podemos dizer que a ponta do negócio encerra com a participação desse profissional. O corretor é o responsável pela transação comercial do imóvel, onde faz a intermediação entre o vendedor e o comprador. Além disso, também tem o papel de avaliar o imóvel para a finalização do acordo.

Conversamos com presidente do Creci-MS (Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Mato Grosso do Sul) Delso José de Souza, que também enfatizou que esse ramo influencia economicamente desde a geração de emprego, no mercado imobiliário, na avaliação de imóveis, produção e venda de material de construção, prejudica profissionais como arquitetos, engenheiros, por isso a importância de o setor estar bem equilibrado.

Mato Grosso do Sul tem atualmente 5 mil corretores de imóveis na ativa e o número no País chega 340 mil profissionais, que atuam dentro do segmento da compra e venda de imóveis. Delso salienta que o mercado imobiliário é primeiro a reagir quando há recursos disponíveis ao crédito imobiliário. “A burocracia, juros altos, restrição, dificuldades na avaliação de imóvel, prazos de habite-se. Calcule ‘N’ dificuldades que se encontra como demora na aprovação de projetos nas prefeituras, liberação de alvarás. E todos esses fatores emperram de alguma maneira a situação econômica do segmento”, desabafa.

Mudança de regras

Trabalhadora vislumbra o sonho da casa própria/Foto:Helton Davis

Trabalhadora vislumbra o sonho da casa própria/Foto:Helton Davis

Outra situação levantada pelo presidente do Creci-MS está em relação às novas regras para construção do Minha Casa Minha Vida, que também gerou protesto de trabalhadores da construção civil, que é em relação somente autorizar o projeto, o programa, em locais onde haja asfalto e a construção somente ser feita partir de pessoa jurídica. “São mais dificuldades imputadas ao setor da construção civil, importante para o desenvolvimento. Mesmo porque, para haver o asfalto e a infraestrutura tem de haver investimento público, ou seja, novamente esbarramos na burocracia e na dependência de políticas públicas que devem ser definidas”, esclarece. Além disso, lembra Delso, o pequeno construtor que atua nesse setor de casas populares, a partir de janeiro terá de constituir empresa para poder empreender, com a determinação de restrição para pessoa física.

Governo de MS seleciona construtoras para habitações em 18 municípios

Enquanto o Governo federal restringe o programa Habitacional, em Mato Grosso do Sul, com as finanças equilibradas, o governador Reinaldo Azambuja lança licitação para construções de moradias.
A Agência de Habitação Popular de Mato Grosso do Sul – AGEHAB publicou no Diário Oficial do Estado, nos dias 19, 20 e 21 de outubro,avisos de licitações para contratações de empresas para a execução de obras habitacionais em 18 municípios do Estado: Novo Horizonte do Sul, Coronel Sapucaia, Bela Vista, Costa Rica, Jaraguari, Água Clara, Bataguassu, Bodoquena, Cassilândia, Glória de Dourados, Jardim, Fátima do Sul, Itaquiraí, Ribas do Rio Pardo, Brasilândia, Japorã, Paranhos e Rio Verde de MT.
Os empreendimentos serão construídos pelo “Projeto Lote Urbanizado”, instituído pela Lei Estadual nº 4.888, de 20 de julho de 2016, regulamentado pelo Decreto Estadual n° 14.576, de 06 de outubro de 2016, integrante do Programa de Produção e Adequação Habitacional Integrada e Fomento ao Desenvolvimento Urbano.
Para participar a empresa precisa ser cadastrada na Coordenadoria de Licitação de Obras da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos – AGESUL, bem como atender condições exigidas pelo edital. A abertura do edital teve o início nesta quarta-feira (19) às 8h30.

Alberto Gonçalves e Helton Davis –
*Com informações de Associações e Governo de MS