O que cooperativa pode ter em relação à energia. Ao pensarmos nas palavras nada. Mas na atualidade e aqui no Brasil tem tudo a ver. Com a nova decisão do Governo Federal em admitir a geração de energia própria de consumidores, o sistema de cooperativa é o grande de aliado do momento.

Muito se houve falar em cooperativa de crédito, agrícola e tantas outras. Recentemente foi criada a primeira Cooperativa de Energia renovável do País. Um grande passo para que o consumidor não fique tão dependente das distribuidoras energéticas.

energia3O mundo atualmente pensa sustentável e na questão econômica, principalmente pelo atual momento do Brasil, a intenção é buscar alternativas para que possamos economizar, sem agredir ao meio ambiente e obviamente de maneira tranquila no que diz respeito às finanças. A grande questão gira em torno da popularização dessa energia, mesmo porque muitos ainda desconhecem as novas regras e seus benefícios.

O analista de gerência técnica da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Marco Olívio Morato de Oliveira, acredita que essa iniciativa de se criar cooperativas para geração de energia renovável será uma tendência em todo o país, mesmo porque já existem demandas em vários estados, mais de 10 locais que querem conhecer melhor a implantação desse sistema. Mato Grosso do Sul, por exemplo pode ser um excelente local para se montar uma cooperativa de energia renovável.

marco-morato-7177O especialista explica que para se compor e criar uma cooperativa é necessário o número de 20 pessoas físicas. Passando desse volume de integrantes, pode entrar também pessoa jurídica, ou seja, empresas. “Esse conceito serve para o cooperativismo como um todo e também neste caso de energia renováveis em geração distribuída. Esse é o conceito onde posso compensar a energia gerada pela cooperativa na minha residência. Para se montar uma cooperativa nesse conceito, essas 20 pessoas participantes devem estar na mesma área de concessão, ou seja, pertencer a mesma área de uma concessionária de energia em comum. Por exemplo, essas 20 pessoas têm de estar na área de concessão da Energisa. Não importa se é no município X ou no Y, o que vai decidir será a concessionária única”, resume.

A cooperativa define o local onde será a montada a estrutura para montar a usina geradora de energia e partir daí começa o processo de captação da energia solar. Nesse aspecto, explica o analista da OCB, é mais vantajoso quando essa cooperativa já tem um local especifico, mas nada impede que seja alugado um local, ou até mesmo se um dos cooperados tiver um local onde possa ser implantado o sistema de geração de energia com a instalação das placas fotovoltaicas, que será responsável pela captação da energia solar.

energiaEm relação ao custo da implantação do sistema, Marco Olívio esclarece que ao se criar uma escala ele fica mais barato. “A economia nesse modelo de cooperativa chega a 30% para a implantação. Isso pensando nesse sistema de captação de energia com as células fotovoltaicas, inversores e conexão com a rede distribuição. Esclarecendo que se a cooperativa não tiver esse local para implantar as placas esse custo terá um acréscimo”.

Para não deixar dúvidas, o analista explica que hoje se trabalha com uma margem de custo de R$ 20 mil por cooperado para toda a instalação do sistema, sem contar o terreno onde será feito. O funcionamento para que as pessoas entendam é da seguinte forma: “Durante o dia, a energia é gerada com a luz solar. Essa energia gerada vai para a rede da distribuidora e fica como saldo para a cooperativa. A partir daí, como cooperado, o meu consumo na minha residência é abatido do saldo da cooperativa, que distribui entre os participantes”, exemplifica.

As pessoas devem ficar atentas que esse retorno econômico não é algo rápido do tipo investir R$ 20 mil e dentro de dois meses a economia com o sistema de geração de energia da cooperativa já vai ter pagado o custo aplicado. “O chamado ‘pay back’ gira em torno de 6 a 8 anos. O tempo médio de vida útil do equipamento é de 20 anos. Então, a partir do oitavo ano você teria energia de graça. Mas é bom deixar claro que a conta de energia que normalmente pagamos, tem a tarifa de energia e também da distribuição para as residências. O que é zerado na conta é a energia, a disponibilidade da rede para uso é pago, que seria a tarifa mínima, que dependendo do consumo gira em torno de R$ 50 a R$ 100.”, explica.

Ilustração sobre como funciona o sistema

Ilustração sobre como funciona o sistema

Marco explica ainda que a vantagem de se formar cooperativa para a geração de energia renovável está no custo, onde ele exemplifica da seguinte forma: “se montarmos em casa esse equipamento, o imóvel sendo alugado, ou mesmo próprio e posteriormente decido me mudar, vou ter de desmontar o equipamento, ou até deixar no local. Morando em apartamento nem sempre tem área para colocação do painel fotovoltaico. Então, o ideal é optar cooperativa e fazer essa geração de energia, que estará em um local apropriado gerando energia e o cooperado utilizando de sua parcela. Além é claro do custo da economia fiscal em relação ao equipamento.”, conclui.

Para aqueles que desejarem se mobilizar para criar a cooperativa de energia renovável em sua região, Marco orienta que A OCB tem unidades em todos os 27 Estados do País e a unidade Nacional em Brasília.  “Como é algo recente, uma resolução nova, foi implantada em abril deste ano, inclusive a OCB participou da elaboração do projeto no ano passado, pouca gente e até mesmo no sistema conhece esse negócio, aconselho a procurar a unidade estadual que é muito fácil, basta entrar no site www.brasilcooperativo.coop.br onde haverá os endereços e contatos de todas as unidades estaduais. Nosso desafio agora é informar e esclarecer sobre esse novo modelo de negócio para as cooperativas”, define.

Cooperativismo

A primeira cooperativa de energia renovável do Brasil entrou em funcionamento no município de Paragominas, no estado do Pará. A micro-usina de energia solar fotovoltaica da Cooperativa Brasileira de Energia Renovável (Coober) começou a operar com capacidade de 75 KWp, potência que deve ser ampliada em breve.

Foram investidos R$ 600 mil e o recurso provém da contribuição dos 23 cooperados. A Coober foi criada em fevereiro deste ano, com base nas novas regras da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), com o objetivo de estimular a geração de energia pelos próprios consumidores.

O espaço físico da micro-usina reúne 288 placas fotovoltaicas que possuem capacidade de produção média de 11.550 KW/H por mês. Toda energia será injetada no sistema da rede Celpa. O resultado será rateado entre os cooperados e descontado diretamente na conta de energia. Estima-se que metade do quadro social da Coober tenha a conta completamente zerada, dependendo do nível de consumo individual.

De acordo com o portal da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), cooperativismo é um movimento, filosofia de vida e modelo socioeconômico capaz de unir desenvolvimento econômico e bem-estar social. Seus referenciais fundamentais são: participação democrática, solidariedade, independência e autonomia.

É o sistema fundamentado na reunião de pessoas e não no capital. Visa às necessidades do grupo e não do lucro. Busca prosperidade conjunta e não individual. Estas diferenças fazem do cooperativismo a alternativa socioeconômica que leva ao sucesso com equilíbrio e justiça entre os participantes.

Associado a valores universais, o cooperativismo se desenvolve independentemente de território, língua, credo ou nacionalidade.

Geração de energia

Segundo dados, obtidos durante uma audiência pública realizada no Senado em Brasília, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) projeta que a geração de energia pelo próprio consumidor tende a crescer e deve chegar a 1,2 milhão de unidades consumidoras no Brasil até 2024.

fachada_da_aneelSegundo o assessor da Aneel, Hugo Lamin, até julho deste ano, 4.517 unidades consumidoras no país já possuíam a geração distribuída nas modalidades de micro ou minigeração. A Resolução 482/2012 da Agência, que foi revista em 2015, estabeleceu que as microgeradoras são as que produzem até 75 quilowatts (KW) de energia, enquanto que as minigeradoras, até 5 megawatts (MW). “98% dessa geração é solar, totalizando 4.432 unidades. O biogás são 23 hoje no Brasil. Biomassa, 2 casos; eólica, 39; hidráulica, 5 e o modelo híbrido, entre solar e eólica, 16. Desses 4.517, 78% são unidades consumidoras residenciais”, descreveu Lamin.

O diretor de programas da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Gilberto Hollauer, também mencionou a perspectiva de elevação, para 2050, do consumo residencial originário da geração distribuída. A estimativa é que chegue a 13%.

“Em termos de capacidade instalada para serviço residência, a gente chega a 80 gigawatts instalados. Dando uma dimensão para isso hoje, a capacidade total é de cerca de 150 giga. Vamos ter algo quase como a metade da capacidade atual do Brasil em termos de geração distribuída em 2050. A gente vai chegar lá. O que se discute agora é a velocidade”, afirmou.

Hugo Lamin, da Aneel, apontou desafios para que o país alcance essa projeção. Segundo o assessor, é preciso garantir isenção de ICMS sobre a geração distribuída, como já ocorre em 19 estados e o Distrito Federal. Além disso, Lamin ressaltou a importância de divulgar à sociedade a possibilidade de gerar a própria energia e de promover linhas específicas de financiamento direcionadas à geração distribuída.

Alberto Gonçalves/Com informações da Agência Senado e OCB