“O bom design é uma linguagem, não um estilo.” A máxima do designer italiano Massimo Vigneli, um dos mais versáteis e respeitáveis do mundo, sintetiza a essência da segunda edição do setor de design da SP-Arte – Festival Internacional de Arte de São Paulo, que acontece entre os dias 6 e 9 de abril, no Pavilhão da Bienal. Com mais de 20 galerias que trazem o melhor do design autoral de mobiliário e do mundo dos antiquários, o setor oferecerá ao público a experiência de dialogar com diferentes épocas e gêneros.

sp_ArteO setor trará, assim como no anterior, grandes galerias contemporâneas, como Firma Casa, Hugo França, Ovo, Etel e Pé Palito; os líderes em antiquário – Itamar Musse e Sandra & Marcio; além dos estreantes Ary Perez, Apartamento 61, By Kamy, Estúdio Mameluca, Herança Cultural, Paulo Alves, Rafael Moraes, Resplendor e Prototyp&.

“A segunda edição do setor de design nos dará a oportunidade de aprofundar o trabalho iniciado no ano passado, voltado sobretudo ao design autoral brasileiro, que tem muita personalidade e que busca revelar traços da identidade nacional”, afirma Fernanda Feitosa, diretora da SP-Arte.

As galerias

Pela primeira vez na SP-Arte, o Estúdio Mameluca, criado pelos designers Ale Clark e Nuno FS, traz objetos que reúnem conceito e funcionalidade, combinados a referências artísticas e sociais. O nome é tão bem-humorado quanto são as criações e as raízes de seus fundadores: significa a mistura do índio com o branco; do latino com o europeu.

Imagens de alguns mobiliários:

A Firma Casa retorna ao Pavilhão da Bienal com icônicos desenhos dos Irmãos Campana, reconhecidas pelo uso de elementos da cultura popular. Entre as novidades para este ano estão as peças da dupla ítalo-alemã Hillsideout, formada por Andrea Zambelli e Nat Wilms. O mobiliário produzido pela dupla durante uma temporada no Brasil tem personalidade e é cheio de histórias. Construído a partir de referências culturais brasileiras e com a utilização de madeiras típicas daqui, como jequitibá, roxinho e freijó, os móveis são responsáveis por traduzir parte da estética nacional.

Reconhecida por sua coleção de design moderno e contemporâneo do Brasil, a Etel apresenta o projeto Relicário, criado em parceria com o artista plástico Carlos Vergara. As obras, feitas partir da técnica de monotipia que reproduz estampas de lenços de viagem, foram concebidas pelo artista durante sua passagem por locais tidos como sagrados, como Santiago de Compostela, na Espanha, e Capadócia, na Turquia. Assim, Vergara apresenta uma espécie de relicário – um apanhado de memórias e itens especiais que reconstroem sua história enquanto artista. A galeria traz ainda uma série de reedições de mobiliários e objetos da arquiteta e designer Lina Bo Bardi, criados no Studio de Arte e Arquitetura Palma, entre 1949 e 1951.

A Ovo apresenta seis criações inéditas dos designers Luciana Martins e Gerson de Oliveira: mesa Plano, poltronas Paralelas, estante Ara e poltrona, cadeira e mesa da linha Bastão, além de outras peças, como a poltrona Corte, representativas de sua trajetória de 25 anos no design.

Imagens de alguns mobiliários:

A seleção a ser exibida pela Pé Palito durante a SP-Arte/2017 mistura peças assinadas e anônimas originais de época do mobiliário brasileiro e internacional do século 20. A escolha foi norteada pela harmonização das vertentes modernas das décadas de 1950 e 1960.

Nesse garimpo especial, o foco se coloca sobre o mobiliário brasileiro de época: linhas puras, geometria, superfícies polidas de jacarandá, em contraste com elementos orgânicos e objetos inusitados de memória, trazendo autores como Jean Gillon e Percival Lafer (1960-70), Jorge Zalszupin (1960), Carlo Hauner e Martin Eisler (1950) em conjunto com peças de mobiliário da célebre fábrica de móveis Novo Rumo.

A Loja Teo apresenta um mobiliário dos anos 1940 a 1970, época em que o design nacional delineou sua identidade por meio da utilização da madeira brasileira, do couro e da palhinha. Dessa época, a Teo destaca móveis modernistas originais, assinados ou anônimos, com curvas clássicas e um toque de modernidade. Até hoje, são avaliados como obras de arte, feitos por criadores como Joaquim Tenreiro, Jorge Zalszupin, Geraldo de Barros e Zanine Caldas.

O ateliê Hugo França traz 15 obras inéditas, entre elas a Chaise Damanivá, peça escultórica produzida com resíduo de um pequi vinagreiro que viveu em torno de 1200 anos, seguindo sua linha conceitual voltada para um diálogo criativo com a sua matéria-prima, a árvore.

O conceito expográfico da Artemobilia Galeria procura destacar uma das grandes fontes de inspiração do design moderno brasileiro: a dualidade entre os padrões racionalistas do modernismo militante dos anos 1920 e a sensualidade biomórfica adquirida pela influência da segunda fase do modernismo, a partir dos anos 1940. Além disso, o curador Sergio Gandhi Campos apresentará ao público pela primeira vez uma criação sua, uma cadeira desenhada e produzida especialmente para o evento. Haverá ainda o preview de uma exposição que será realizada em maio na Artemobilia, com trabalhos de Roberto (Neco) Stickel, um dos mais competentes especialistas em desenho de perspectivas no Brasil.

Imagens de alguns mobiliários:

Há mais de 40 anos no mercado, sob o comando dos especialistas Sandra e Juliana Penna e Luiz Márcio Ferreira de Carvalho Filho, a Sandra & Márcio possui em seu acervo antiguidades, objetos étnicos e peças com design. A galeria trará parte da história do Brasil dos séculos 16, 17 e 18 em seu espaço, com móveis e peças representativas da época, como um oratório de jacarandá policromado e dourado e uma arca de jacarandá, pés de bola.

Voltada ao design autorial do século 20, a Apartamento 61 traz peças assinadas por nomes consagrados do mobiliário moderno brasileiro, como Lina Bo Bardi, José Zanine Caldas e a dupla Carlo Hauner e Martin Eisler, além de peças contemporâneas e inéditas de Ricardo Graham O Ebanista e Bianca Barbato.

Especializada no design vintage brasileiro dos anos 1950 e 1980 e no design-art contemporâneo, a Mercado Moderno (MeMo) reúne uma série de trabalhos de Joaquim Tenreiro, um dos principais nomes do design moderno brasileiro, a exemplo de uma mesa de jantar em estrutura em jacarandá maciço torneado, com tampo folheado em jacarandá, e uma mesa de centro em madeira de pau-marfim – ambas peças da década de 1950.

Segundo Fernanda Feitosa, o crescente interesse internacional pela arte e pelo mobiliário nacional dos anos 1950 e 1960 deve colaborar ainda mais para o processo de internacionalização do nosso design, moderno e contemporâneo. “A união de tantas vertentes do design brasileiro na SP-Arte permitirá – que mais colecionadores e curadores estrangeiros tenham contato com uma das faces mais criativas do país e possam conhecer a sua evolução, desde as primeiras peças, criadas ainda no Brasil Colônia, até o que há de mais moderno.”

SP-Arte/2017

Datas abertas ao público:
6 a 8 de abril – das 13h às 21h
9 de abril – das 11h às 19h
Preview: 5de abril
Pavilhão da Bienal
Parque Ibirapuera, Portão 3
São Paulo, Brasil
Entrada:
R$ 45,00 [geral]
R$ 20,00 [meia promocional*]
*estudantes, portadores de deficiência e idosos com mais de 60 anos [necessária a apresentação de documento]. O Vale-Cultura também dá direito à meia promocional. Crianças de até 10 anos não pagam entrada. A bilheteria encerra suas atividades 30 minutos antes do término do evento.

Fonte: Assessoria SP-Arte