Segundo o Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas do Estado de Goiás (Cimehgo) Goiânia registrou 40ºC na terça-feira (29), a maior temperatura dos últimos 5 anos, quando a máxima foi de 38°. O calor é resultado da soma da época de estiagem, mais as queimadas que assolam o Estado. Para piorar, a falta de chuvas traz outro grande problema, a baixa dos estoques de águas dos centros de abastecimento da Capital. Na medição realizada pela Semad/Cimehgo, em junho, a vazão do Rio Meia Ponte estava em 11.600 litros por segundo (l/s), estágio de Nível de Atenção. No último dia 30, o número foi registrado em 4.957 l/s, chegando ao Nível Crítico.

Vale lembrar que em 2017, cerca de 38 milhões de brasileiros foram afetados por escassez ou falta de água no Brasil. Em 2018, em Goiás, o baixo volume de chuvas obrigou o Estado a decretar situação de emergência com uma vazão do sistema que baixou de 10.000 litros/s para 3.000 litros/s. Nesse contexto, algumas iniciativas como a do complexo Órion Business & Health Complex, no Setor Marista, em Goiânia, são importantes. O empreendimento promove o reúso das gotas de água dispensadas no processo de condensação do sistema de ar condicionado, diminuindo a utilização da água da concessionária local.

A captação direciona a água que goteja nos drenos dos aparelhos da central de ar-condicionado para um reservatório. O engenheiro civil e um dos sócios do Órion Complex, Frank Guimarães, calcula que o volume de água captado diretamente da central de ar pode chegar a 20 mil litros (20 m³), considerando o empreendimento funcionando em sua plenitude.

Segundo o engenheiro Leopoldo Gouthier tudo que é drenado, é utilizado na manutenção dos jardins e torneiras de reuso para limpeza do prédio. “Cada estação tem um comportamento diferente. Agora, com calor eminente, as clínicas mantém seus equipamentos a todo vapor, o que aumenta o volume, mas em contrapartida acabamos usando tudo que entra muito rapidamente”, detalha ele que lembra que existem dois reservatórios podem represar 36 e 16 mil litros de água.

Frank lembra que normalmente, em prédios que não foram construídos com essa preparação, este gotejamento é desperdiçado. “Fazemos o reúso e deixamos de consumir água tratada e, consequentemente, contribuímos para economia de água dos reservatórios públicos”, diz. Para efeito de comparação, essa economia é suficiente para suprir a necessidade diária de 134 pessoas, tendo em vista o cálculo da Agência Nacional de Águas, que calcula uma média de consumo individual no Brasil de 150 litros de água por dia.

Eletricidade

Frank Guimarães comenta que o sistema de ar-condicionado leva também a uma economia de até 40% na energia elétrica. É que, por ser dotado de inteligência artificial e mecanismos de última geração, o aparato consegue medir a demanda dentro do edifício para acionar o número exato de chillers necessários para atender à necessidade do momento. Se, por exemplo, o clima do dia favorece um ar mais fresco e o número de pessoas dentro do prédio não gera tanto calor no momento, o sistema, ao invés de acionar os três, vai ligar apenas um ou dois, ou mesmo diminuir a frequência de rotação deles, conforme o necessário para garantir o conforto térmico no interior do complexo. Outro fator que auxilia na economia é a redução da carga de trabalho no sistema gerada pelos “Shadow Box”, ou caixa de sombras, que estão atrás dos vidros que recobrem a fachada do Órion. Eles conseguem reter os raios solares que batem no prédio, diminuindo a temperatura em seu interior.

Tanque de armazenamento de água do Órion/Lorena Lázaro

Quando a chuva chega

A chuva que cai sobre as lajes impermeabilizadas do Órion também é reaproveitada e quando o período das águas chegam, 100% da irrigação dos jardins do empreendimento é feito com a reserva. São cerca de 35 m³ por dia, quase a totalidade da capacidade e armazenamento de um dos tanques destinados para receber tanto água das chuvas, quando do gotejamento. A economia com água no edifício, considerando a captação do ar-condicionado e da chuva, pode atingir até 25% ou 30%, dependendo da estação do ano.

O Órion Complex é um conjunto de empreendimentos, sendo a maioria deles segmentado na área da saúde. Além de 673 clínicas médicas e salas comerciais, o mixed use conta com um shopping especializado na área da saúde e um hotel de luxo, de bandeira Clarion, equipado com 160 acomodações. O complexo imobiliário inaugurou em 2019 um hospital de alta complexidade, com 240 leitos em apartamentos de alto padrão, sendo o primeiro hospital geral privado de Goiânia. A estimativa dos sócios do edifício é que 12 mil pessoas circulem diariamente pelo Órion, quando todas as operações estiverem em funcionamento.

Fonte: Da Redação/Assessoria