Não é novidade que a pandemia do Coronavírus trouxe mudanças expressivas no modo de viver do brasileiro. Com o isolamento social, a população passou a ficar mais tempo dentro das suas moradias, fator que expôs novas necessidades para as famílias, que de uma hora para outra precisaram transformar o lar em espaço de trabalho, estudo e lazer. O reflexo disso pode ser visto no mercado imobiliário.

ala integrada de um apartamento cobertura. Projeto executado pelas arquitetas Danielle Dantas e Paula Passos, do escritório Dantas & Passos Arquitetura. Foto: Maura Mello

Entre as ofertas de apartamentos e casas, qual a melhor decisão para toda a família? “As casas têm sido mais procuradas por aqueles que buscam um espaço mais amplo que permita um viver ainda mais confortável, além da oportunidade de ter um contato mais próximo com a natureza… as pessoas passaram a sonhar novamente com quintais”, explica Danielle Dantas, sócia de Paula Passos no escritório Dantas & Passos Arquitetura.

Para esclarecer o cenário àqueles que agora, ou um pouco mais adiante, passarão pelo momento de decidir por uma mudança, as arquitetas trazem os prós e contras de cada tipo de morada. Antes de deliberar entre uma casa ou um apartamento, a primeira recomendação indicada por Danielle e Paula é realizar uma análise pessoal – e bastante profunda –, sobre o que pode soar como vantagens e desvantagens, de acordo com o estilo de vida do morador ou da família como um todo. “Ter em mente o que se busca é fundamental”, enfatiza Paula.

Além do tipo de edificação, também é necessário avaliar aspectos que englobam o entorno como os serviços oferecidos pelo bairro, o perfil da rua (calma ou muito movimentada), bem como mensurar distâncias para chegar ao trabalho e levar as crianças ao colégio. “Principalmente em grandes cidades como São Paulo, o tempo de deslocamento deve ser levado em consideração. Do que adianta mudar para uma casa, em um condomínio afastado, se as atividades profissionais demandarem um trajeto longo e cansativo todos os dias? Nesse caso, digo para meus clientes que é mais confortável optar por um apartamento”, discorre Danielle.

Outro exemplo elencado pelas arquitetas está relacionado ao seguir regras – que em linhas gerais integram o viver em apartamento ou residências. Mas em apartamentos, a atenção com temas sobre silêncio e convivência com vizinhos acabam se tornando ainda maior, haja vista apenas paredes e lajes dividem o espaço entre as unidades do prédio. “Paciência, bom relacionamento e tolerância são requisitos fundamentais”, relata Paula.

Raio X – morar em casa

Área externa de uma casa, que permite o lazer dos moradores e privacidade para desfrutar, convidar os amigos sem se preocupar com o vizinho do andar inferior ou superior.

Projeto: Dantas & Passos Arquitetura. Foto: Maura Mello

Ao escolher por uma casa, liberdade, privacidade e tranquilidade com a não ocorrência de barulhos de vizinhos do andar superior arrastando móveis fora de horário, o toc toc do salto e música com volume alto são certezas. Além disso, a possibilidade de criar animais com mais conforto, cultivar plantas (o prazer de mexer na terra do quintal) e ter um espaço mais amplo para quem adora receber convidados em casa são atrativos que apenas as residências oferecem em plenitude. Além disso, morar em casa também possibilita um maior controle das despesas da família, já que não existe o custo mensal do condomínio. “Com essa economia, é possível investir em possíveis melhorias mais para frente”, direciona Danielle.

No contraponto, a segurança é a primeira das desvantagens de morar em casa. Por não existir a estrutura de vigilância de um edifício, faz-se primordial destinar um valor considerável para a instalação de cerca elétrica, bem como sistemas de alarmes e vigilância. A limpeza de área externa e garagem também podem ser consideradas pontos negativos, já que em apartamento o condomínio é incumbido pelos cuidados da parte interna. “No tocante à manutenção, é preciso sempre observar o estado de conservação de telhado, pintura externa da fechada e caixa d’água, entre tantos tópicos”, esclarecem as arquitetas.

Pensando no dia a dia, habitar em uma casa implica também em comprar botijões de gás, já que muitas não contam com o sistema de gás encanado existente nos prédios. E para as famílias que ficam ausente durante todo o dia, o fato de não haver uma portaria pode dificultar o recebimento de encomendas – muito frequentes em função das compras online. “Além disso, a preferência por casas pode afastar o morador das regiões onde estão concentrados os escritórios, restaurantes, shoppings ou mesmo o acesso facilitado ao transporte público, uma vez que temos nas regiões centrais de muitas cidades, a oferta quase exclusiva de apartamentos. “Tudo é mesmo uma questão de escolha e ser feliz com ela”, salienta Paula.

Raio X – morar em apartamento

Morar em um apartamento, principalmente em grandes cidades como São Paulo, implica em oferecer maior sensação de segurança. Projeto: Dantas & Passos Arquitetura Foto: Maura Mello

O morar em apartamentos implica em considerar a praticidade e segurança em função dos muros altos, controle de portaria e todo sistema de monitoramento adotado pelos edifícios. O lazer também é um tema que agrega, já que o conceito mais atual dos empreendimentos prevê uma ampla estrutura, semelhante aos clubes, que comporta por área gourmet, salão de festas, quadras, playgrounds, saunas, academias e piscinas (inclusive aquecidas).

Para quem viaja muito, ou passa o dia todo fora de casa, a aquisição de um apartamento promove a confiança de um lar sem o mesmo risco de assaltos que as casas estão submetidas. Limpeza e manutenção também são vantagens para quem mora em prédio, pois embora o valor do condomínio possa ser oneroso, a tarifa já inclui o cuidado com as áreas comuns do prédio.

Porém, nem tudo são flores, já que na maioria dos casos apartamento é sinônimo de um espaço menor dentro do lar. Em função disso, o imóvel demanda um projeto com soluções para organizar a rotina, bem como uma série de adaptações. Aos moradores com pets, faz-se indispensável seguir as normas que regem o estatuto dos condomínios. “Alguns, por exemplo, não aceitam animais de estimação de grande porte”, alerta Paula.

Tem quem reclame também da falta de privacidade, tanto com as janelas, como como os ruídos. Construídos ‘parede com parede’, não é incomum conviver com situações como a briga de vizinhos outras ocorrências relacionadas ao dividir uma vida ao lado de vizinhos. O respeito às regras é premissa, já que não seguir questões como a lei do silencia após as 22h pode resultar em multas. “Além de um mal estar que não deixa o clima propício”, finaliza Danielle.

Dantas & Passos Arquitetura

Fonte: Da Redação/Assessoria